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2013 - Produção de madeira nobre nativa é o foco de projeto desenvolvido por docente do CCA


O Centro de Ciências Agrárias (CCA), Campus Araras da UFSCar, realiza uma pesquisa inédita na região de Araras (SP) que visa o desenvolvimento de modelos de cultivo de espécies nativas madeireiras em plantios de restauração florestal em áreas de reserva legal. O estudo prevê benefícios para a sociedade, como a qualidade do meio ambiente, e também para agricultores. A pesquisa é realizada por Ricardo Augusto Gorne Viani, docente do Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal (DBPVA) da UFSCar, integrante do Laboratório de Silvicultura e Pesquisas Florestais (LASPEF) e do Grupo de Estudos em Silvicultura e Floresta(GESF), em que alunos dos cursos de graduação do CCA participam de várias atividades técnicas científicas relacionadas às ciências florestais. A linha de pesquisa é uma das poucas que existem no País atualmente. No geral, os estudos dessa área trabalham a exploração madeireira com base nas novas leis ambientais e o estudo do CCA avalia a possibilidade de se aproveitar o reflorestamento obrigatório para o cultivo de árvores que dificilmente são exploradas no Brasil.

 “A produção madeireira da Amazônia vem caindo constantemente nas últimas décadas, dentre outros fatores, pela intensificação da fiscalização", ressalta Ricardo. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até o ano passado o desmatamento ilegal na região foi o menor alcançado até então, mantendo a meta anual. Por outro lado, o consumo de madeira está aumentando. Ricardo explica que, ao contrário do que muitos imaginam, a madeira produzida na Amazônia é destinada principalmente ao mercado interno com destaque à região Sudeste do Brasil. "Ou seja, uma hora ou outra teremos de substituir a madeira extraída da Amazônia por madeira nobre de plantios florestais para suprir a demanda", afirma o docente.

A linha de pesquisa coordenada por Ricardo envolve o desenvolvimento de técnicas de propagação e cultivo de espécies madeireiras nobres da Mata Atlântica, consideradas madeiras exóticas, como por exemplo o cedro e a cabreúva. Essas espécies são pouco cultivadas hoje em dia, quando comparadas ao pinus e ao eucalipto, demasiadamente exploradas e que representam mais de 90% dos cultivos do País, principalmente voltados para a fabricação de celulose e papel. Diante disso, o desenvolvimento do projeto atende um nicho específico voltado à produção de madeira nobre, que não é atendido por essas outras madeiras já exploradas há anos no País.

Ricardo foca outro lado importante da pesquisa que está em desenvolvimento, enfatizando que a evolução de tecnologia para a produção dessas madeiras nobres e nativas não só visa atender à demanda de produção de madeira no Brasil, mas também à necessidade dos agricultores de recomporem a reserva legal, que no novo código florestal, promulgado em 2012, trata-se de uma área florestal obrigatória a toda propriedade rural com mais de quatro módulos fiscais. "É caro plantar e manter florestas sem fins lucrativos em áreas de reserva legal só pelo exclusivo fim de recuperar o desmatamento", argumenta Ricardo, deixando claro seu ponto de vista a respeito do novo código florestal. Assim, o projeto busca desenvolver um modelo de reflorestamento que viabilize ao agricultor plantar essas madeiras nobres nesse espaço destinado à reserva legal e, assim, aliar a obrigatoriedade de reflorestamento dessas áreas a uma atividade produtiva e lucrativa, trazendo também os benefícios de conservação da biodiversidade, sequestro de carbono - processo natural no crescimento da árvore, pois ela necessita de uma alta demanda de carbono para se desenvolver, absorvendo o elemento do ar e diminuindo a quantidade de CO2 na atmosfera - e outros serviços ambientais que uma floresta oferece para a sociedade como um todo. "A pesquisa tem dois focos benéficos: o lado econômico que visa atender à demanda de madeira e propiciar ao produtor rural uma atividade rentável em seu reflorestamento, e o lado ecológico, uma vez que florestas nativas plantadas geram serviços ambientais para a sociedade, abrigo para a fauna e a flora nativas, dentre muitos outros", destaca o pesquisador.

A pesquisa de Ricardo Viani possui algumas extensões e uma delas é realizada em um plantio florestal na Fazenda Guariroba de Campinas (SP). Esse plantio florestal, coordenado pelo docente e seus alunos, em parceria com professores da ESALQ/USP, permite que a equipe estude o comportamento e o crescimento das espécies nativas desde seu plantio, o que tem colaborado para identificar as espécies que melhor se adaptam à região e desenvolver tecnologia para o cultivo comercial dessas espécies. Entretanto, comenta Ricardo, esse estudo de seleção de melhores espécies e práticas para o cultivo das árvores nativas pode levar anos de pesquisa até seu aperfeiçoamento. Enquanto o pinus e o eucalipto já passaram por décadas de melhoramento genético e pesquisas para produção massiva no Brasil, a extensão ainda está caminhando na busca da identificação das melhores espécies da Mata Atlântica para cultivo e produção madeireira e desenvolvendo tecnologias iniciais para que estes cultivos sejam colocados em prática.

Outro projeto envolvendo a silvicultura de espécies nativas do docente Ricardo Viani se estende ao melhoramento genético das árvores cultivadas com base em uma parceria com o viveiro BIOFLORA, na cidade de Piracicaba (SP). O experimento tem por objetivo desenvolver técnicas para replicar as melhores árvores de cada espécie a partir da propagação vegetativa, que se baseia em retirar ramos das melhores árvores e fazer com que se enraízem, gerando milhares de indivíduos clonados, cem por cento iguais aos das árvores mais produtivas. Para espécies como o eucalipto, essa é a principal técnica utilizada atualmente.

Atuando na área da silvicultura de espécies nativas, a também docente do Campus Araras da UFSCar, Renata Evangelista Oliveira, do Departamento de Desenvolvimento Rural (DDR), atualmente orienta alunos do curso de Agroecologia num projeto que envolve a alimentação de um banco de dados sobre espécies nativas, voltado à coleta e sistematização de informações ecológicas e silviculturais sobre mais de cem espécies. Renata afirma que esse projeto é realizado em parceria entre o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) com o "intuito de possibilitar a utilização dessas espécies em projetos de restauração em áreas de preservação permanente e de reserva legal, voltados à conservação da biodiversidade e geração de produtos florestais madeireiros e não madeireiros”.

De acordo com Ricado Viani, esse banco de dados seria de extrema importância no processo de evolução de sua pesquisa, pois caracteriza de forma detalhada o que muitas espécies de madeiras nativas necessitam para seu melhor cultivo e no seu futuro melhoramento genético, agregando um alto valor de conhecimento para o desenvolvimento do seu projeto. Atualmente, a pesquisa do docente conta com o apoio de um grupo de alunos para reunir as informações obtidas durante o estudo. "Conheço as etapas dos plantios das espécies nativas e possuo esses experimentos em base da minha linha de pesquisa. Para colocar tudo isso em prática com os conhecimentos que tenho adquirido com todas as pesquisas em andamento para a criação de técnicas, conto com a ajuda do grupo de alunos envolvidos no projeto de extensão" finaliza Ricardo. O docente ressalta a importância de se usar um banco de dados, como a docente Renata está desenvolvendo, para a sistematização de todas as práticas de cultivo de nativas, explicando que seria o ideal, em breve, a parceria em projetos semelhantes a esse, para a continuidade e realização da sua linha de pesquisa. A viabilidade da parceria entre os estudos realizados no CCA está sendo avaliada pelos docentes, visto que ambas as pesquisas estão em fase de desenvolvimento.

 

 

Fonte: www2.ufscar.br/servicos/noticias.php?idNot=5747

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