Figura login
 

Notícias

2014 - Novos modelos de plantios de nativas trazem boas perspectivas de ganho

 

Apesar da presença de outros materiais, o mercado não deixará de usar madeira, principalmente a tropical nobre, em pisos e estrutura de telhados, entre outras aplicações na construção civil.

Após um período de grande desmatamento, o Brasil caminha para o surgimento de novos modelos econômicos viáveis para o setor de produção de madeiras nobres como alternativa ao extrativismo. Estudos preliminares com espécies nativas realizados por meio de uma parceria entre o Laboratório de Silvicultura Tropical, Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal, ambos da ESALQ/USP, do Viveiro Bioflora Restauração Florestal e do Instituto Internacional para a Sustentabilidade trazem planos de negócios com grande potencial de retorno econômico.

Um dos estudos foi realizado com 10 espécies nativas de maior potencial de crescimento por metro cúbico/hectare/ano e espécies com maior valor agregado para o uso comercial da madeira. “Os estudos apontam um grande potencial de retorno econômico para essa atividade ao optar por espécies nativas, já que elas também podem reconstituir parte da reserva legal nas propriedades rurais”, afirma André Nave, diretor do viveiro Bioflora de Piracicaba /SP.

Segundo Nave, a legislação atual permite o aproveitamento econômico por meio do manejo de espécies em área de reserva legal, onde é necessário ter cobertura de nativas. “Já existem modelos de manejo que certamente gerarão um rendimento maior que a pecuária e outras culturas atualmente localizadas em áreas de baixa aptidão”, afirma. Por isso, o estudo é voltado às espécies nativas, devido ao grande potencial de aproveitamento econômico desse tipo de árvore.

“Ao optar por espécies nativas na reserva legal obrigatória, o produtor cumpre a lei, ajuda a resolver o passivo ambiental da propriedade e ainda tem a possibilidade de obter renda”, avalia Pedro Brancalion, professor do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP. Para ele, essa demanda legal tende a tornar ainda mais interessante a exploração desse mercado de madeiras nobres. Estudos apontam que é possível chegar a um retorno de 8% ao ano com lucro líquido de pelo menos R$ 1 mil por hectare/ano – que é hoje muito superior ao que se ganha com pecuária extensiva em áreas de baixa aptidão agrícola.

De acordo com o professor, hoje é ainda muito difícil especificar preços porque não há modelos com resultados práticos, mas é uma grande aposta para o mercado. “Investir no setor de madeiras nobres poderá trazer ganhos bastante rentáveis principalmente para quem sair na frente”, observa. No passado, não se pensava em plantar árvores nativas, pois são de ciclo produtivo longo (de 20 a 40 anos) e não havia tecnologia para isso. O preço não compensava o plantio, já que a demanda de madeira do mercado era suprida pela extração de florestas nativas, com custo zero de produção. “Hoje esse cenário não se aplica, porque temos uma perspectiva muito clara de falta de madeira no mercado em função da redução do desmatamento. Quem investir nesse tipo de plantação terá muito retorno no futuro”, acredita.

Brancalion explica que, nos últimos dez anos, houve uma redução drástica do desmatamento da Amazônia, com queda de 50% no volume de madeira tropical fornecida ao mercado. Em função das políticas públicas ambientais bem sucedidas, a oferta de madeira tem caído muito nos últimos anos, mas a demanda da sociedade tem crescido. Com a redução de oferta e o aumento da procura, é natural que haja um aumento no preço da madeira. “Hoje, em razão do preço, muitos acabam optando por outros materiais na construção”.

Muitos agricultores querem saber sobre o ciclo muito longo que as espécies necessitam para ser cortadas, mas a produção tem que ser planejada na propriedade rural. “A ideia não é plantar árvores em espaços agrícolas, mas sim em área de baixa aptidão, relevo acidentado, solo mais pobre e que hoje é destinada para a pecuária extensiva”, diz Brancalion. O professor explica que em áreas nessas condições não se ganha mais que R$ 150 reais por hectare/ano, com pastagens, considerando uma lotação de 0,8 animal por hectare. “Não há justificativa econômica que sustente a manutenção da pecuária nessas áreas como atividade lucrativa”, afirma.

Para o professor, as áreas de baixa aptidão já desmatadas podem receber o plantio de espécies nativas como alternativa econômica. Adicionalmente, existem hoje modelos que permitem antecipar o retorno econômico, com espécies de ciclo mais longo plantadas com outras de ciclo mais curto. O eucalipto, por exemplo, depois de seis anos pode ser cortado, cobrindo o custo do plantio das árvores. Além disso, é possível manter culturas agrícolas nos primeiros quatro anos entre as áreas plantadas e até mesmo retornar o gado. “Neste caso, é preciso fazer um planejamento adequado de entrelinhas e espaçamentos das árvores para viabilizar esse consórcio de floresta-lavoura-pecuária”, recomenda André Nave.

 

Espécies nativas com elevado potencial de produção de madeira:

 

Espécie Nome popular
Anadenanthera colubrina var. cebil Angico-vermelho
Astronium graveolens Guaritá
Balfourodendron riedelianum Pau-marfim
Cariniana estrellensis Jequitibá-branco
Cariniana legalis Jequitibá-rosa
Centrolobium tomentosu Araribá
Cordia trichotoma Louro-pardo
Handroanthus heptaphyllus Ipê-roxo
Peltophorum dubium Canafístula
Zeyheria tuberculosa Ipê-felpudo

 

Fonte: Kleffmann
 

 

Copyright © 2018 | Bioflora - todos os direitos reservados
Desenvolvido por Ozonio Interativa