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Nova técnica reduz até 70% o custo de restauração florestal

 

Nova técnica em desenvolvimento na Bioflora Tecnologia da Restauração, de Piracicaba (SP) por meio de parceria com o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF), da ESALQ/USP, reduz em até 70% o custo de produção para reflorestamento. Em média, o valor orçado por empresas que fazem restauração florestal é de R$ 16 mil por hectare com mudas nativas em áreas onde não existe regeneração natural. Com o plantio direto de sementes de espécies nativas consorciadas com adubação verde em linhas, esse mesmo custo cai para cerca de R$ 5 mil.
 
Conforme Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do LERF/ESALQ/USP, pesquisas mostram que, para reduzir custos com a restauração florestal, o ideal é fazer o recobrimento da área com semeadura direta de espécies de rápido crescimento e boa cobertura, e não com mudas. “As mudas seriam usadas apenas para as espécies de diversidade, introduzidas na área depois de dois ou três anos da semeadura direta com as espécies de recobrimento. É preciso atenção para incluir mudas de maior qualidade genética, de outras formas de vida além das árvores, de grupos funcionais comprometidos e outros, garantindo assim maior qualidade do projeto de restauração”, diz. 
 
O objetivo é estudar o comportamento das espécies nativas do grupo de recobrimento, que tem como características principais o rápido crescimento e o sombreamento da área. Com isso, cria-se um ambiente adequado para o desenvolvimento das outras espécies que compõem a floresta, inclusive outras formas de vida, como lianas (cipós), epífitas, arbustos etc, que fazem parte da biodiversidade e são fundamentais para o funcionamento dos processos ecológicos. Segundo André Nave, engenheiro agrônomo e diretor da Bioflora, o viveiro tem capacidade de produzir 4 milhões de mudas anualmente de aproximadamente 200 espécies e, dessas, apenas 10 foram selecionadas para a semeadura direta com características ideais para o rápido recobrimento da área.
 
A meta é trabalhar no aperfeiçoamento das técnicas de coleta, beneficiamento e quebra de dormência dessas dez sementes de espécies nativas com a função de recobrimento, associadas a um mix de adubação verde específica para o rápido recobrimento do solo e controle de competidores. “Queremos ter a garantia de que elas germinarão com qualidade e no tempo certo”, afirma Nave. Algumas experiências com adubação verde mostraram que esse tipo de técnica não deixa que as espécies invasoras cresçam e atrapalhem o desenvolvimento e o crescimento de árvores nativas, ainda com a vantagem de melhorias químicas e físicas do solo como a incorporação de nitrogênio e de matéria orgânica.
 
Além de um crescimento mais rápido da floresta, há uma diminuição significativa no número de operações na aplicação de herbicidas. No campo experimental da Bioflora, nos nove meses do reflorestamento com a nova técnica, foi necessária somente uma aplicação de herbicida. “Se fosse um campo com plantio de mudas nativas, além do desenvolvimento mais lento, seria preciso fazer de três a quatro aplicações no mesmo período”, explica Nave.  
 
No viveiro da Bioflora em Piracicaba, uma experiência bem sucedida já demonstra que esse é o caminho certo para que produtores possam investir em reflorestamento. “Com a redução significativa de custo associada a um crescimento rápido dessas espécies selecionadas, o produtor pode se regularizar mais facilmente perante o novo Código Florestal e ter ainda a possibilidade de retorno do investimento com aproveitamento econômico de produtos florestais (madeireiros e não madeireiros)”, afirma André Nave. 
No entanto, vale ressaltar que a metodologia exige experiência do executor, para que sejam escolhidas as espécies corretas, dependendo da região e época do ano, feitas as devidas correções do solo e manutenções da área no momento certo.
 
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Por: Angela Gusikuda
Fonte: Portal KLFF - http://migre.me/ek9IT

 

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